8 de outubro de 2026

 Me sinto alheia ao mundo ao meu redor. Faço o que precisa ser feito, converso o que precisa ser conversado, escuto o que tenho que escutar, mas a vida não me faz muito sentido. É como se eu não pertencesse a essa existência. Me parece tudo supérfluo, insignificante, desnecessário. E, ao mesmo tempo, faço tudo na urgência, como se o mundo fosse terminar amanhã e minhas obrigações fossem fazer alguma diferença para mim e para ele. Creio que passo a vida tentando conseguir fazer o que necessita ser feito ou buscando um jeito de evitá-lo. Estou cansada. E, para não pensar, me entrego a um oceano de responsabilidades, mergulho em afazeres e metas inalcançáveis. Me perco dentro das palavras e dos raciocínios, na ilusão de me encontrar em alguma motivação ou devaneio. Por vezes, nem mais indago sobre o que sou. Simplesmente existo em mim. Sigo com um passo à frente do outro, na tentativa de suportar com mais graça e gentileza essa existência que me esquiva.