28 de agosto de 2026

 

Cresce em mim uma ânsia de vida. O sol se põe e o céu fica rosa; meu coração se enche e transborda com um pouco de todos os sentimentos. Sinto que a vida é algo incrível de se experimentar. E sim, nessas horas, as pequenas coisas e os vãos momentos são o que me vêm à mente. Aquela sensação nostálgica e melancólica de fim de dia de domingo. Meu coração se aperta e me falta fôlego. Tenho medo de não conseguir continuar sendo o que sou quando todos os meus alicerces não estiverem mais nesse plano. Sinto que a saudade vai me dilacerar e perderei uma parte importante de minha composição. Meus olhos queimam, e o dia vai perdendo a cor dourada e vai ganhando um azul profundo. Sinto-me inquieta e minhas células vibram em direções opostas. Vejo a noite chegar pela janela. As luzes começam a se acender pelas ruas e avenidas. Vejo-me em reminiscência de algo que ainda nem aconteceu. Romantizo a existência como os autores do século XIX. Sofro pelo inevitável e temo o próprio mundo. Ao fundo, toca “Fazenda”, de Milton Nascimento; derreto-me e dissolvo dentro da penumbra. Lá fora, o dia já é quase noite, em cinza fosco.

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